No Domingo passado o tio da minha amiga B. foi atropelado por um carro que ia em excesso de velocidade. Não sobreviveu. Pelos vistos, é a quarta vez que esse condutor atropela alguém. Pergunto eu: Como é possível um individuo destes ainda ter carta??? Ninguém sabe...
Neste momento, na família da minha B. há um enorme sentimento de revolta e a alegria, que se vivia por estes dias, deu lugar à tristeza. A B. casa em Agosto e o irmão dela no próximo sábado.
Eu soube disto na segunda à noite, e desde essa altura e até há pouco, quando soube do passado automobilístico do condutor, só pensava: Que horror que se deve ser, carregar consigo o fardo de matar alguém, ainda que por acidente. Claro que neste, momento em relação a essa pessoa e sabendo outros factos que o namorado da B. me contou, sinceramente acho que ele está apenas preocupado em salvar-se.
Hoje tive um daqueles dias em que lutei contra o tempo. Dei formação a três turmas diferentes em locais diferentes, sem intervalos nem hora de almoço. Saí às 10h50 de Ermesinde para estar às 11h na Maia e saí às 13h48 da Maia para estar às 14h em Vairão (qualquer coisa como 30 km). Posso dizer que não cheguei atrasada a lado nenhum. Também assumo que o ponteiro do meu ibiza de 2001, chegou aos 180 na auto estrada, é claro. E confesso que enquanto ia em excesso de velocidade nas nacionais me lembrei muitas vezes da minha B. E pensei que ao ritmo a que eu vivo, às obrigações laborais que tenho, que me obrigam a estar em sítios completamente distintos em horários muito próximos, um horror destes pode bem acontecer-me a mim. Felizmente nunca tive nenhum acidente. Já me bateram mais do que uma vez mas só houve danos materiais. Mas, e se isso acontecesse, eu conseguiria viver a saber que destruí a vida de outra pessoa? Penso, penso e prometo a mim própria que vou abrandar o meu ritmo. Tem que ser! Se não chegar a horas, os meus formandos até ficam todos contentes. A minha consciência e o meu sentido de dever laboral é que não gostam.
Correndo o risco de soar que tenho a mania, assumo que sou uma excelente condutora! Tenho amigas que não vão para o centro da cidade de carro, que evitam passar por quelhos, que não vão para sítios que não conhecem, que só estacionam se o sítio for XPTO e outras coisas do género. Eu pessoalmente vou para todo o lado, sozinha, a qualquer do dia ou da noite, e conduzo em qualquer carro e em qualquer estrada e desde que caiba, estaciono-o em qualquer lado. Quando fui colocada em Cinfães, cheguei a ir à noite sozinha debaixo de um temporal para estradas sem marcações e sem saber onde era a escola.
Mas eu acho que é isso que me torna perigosa: Tenho excesso de confiança! Mas vou cumprir a minha promessa e vou passar a conduzir mais devagar.